quinta-feira, 21 de março de 2013

Às avessas

É segredo de estado
mas dizem que me apaixonei
nego até a morte
mas que raio de vontade é essa
de conhecer sua família
desconsidero, sigo tocando adiante
me acusam de ter apaixonado
em off, mas tenho ciúme
de uma ex estupidamente interessante
da qual ouço falar
brincando de estátua
nego até a morte
mas colegas online
detectam em fotos
rastros de uma paixão
enquanto não procuro
mas acho teu perfume
no telefone e embaixo
do maldito travesseiro
deixo falando sozinho
quem faz coro
que a paixão faz bem
aos olhos, ao cabelo,
ao sono, à inspiração
à pele... Não!
esta voltou à adolescência
não revelo nem sob tortura
mas espalham que me apaixonei
invento receita, pinto unha
me maquio, encaro tortura chinesa feminina
massageio, compro peças estratégicas
com segundas intenções
vejo poesia no cheiro
do café, nas novas linhas
que rascunho, mas imagine!
tudo não passa
de um despreocupante
surto literário
jurei de pé junto
não por o coração
na frente do meu senso de noção
mas esse teu cafuné certeiro
e o golpe baixo do seu cheiro
vazou que me apaixonei
mas é só um jeito de tapear a inspiração
e mentir para esta batida descompassada


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