Te amo pra cima, pra baixo
à direita e à esquerda
Amo teus medos
tuas cortinas e teus enfeites
Amo teu idealismo
tua fé crítica
e teu jeito brejeiro
Amo tuas pequenas dúvidas
tua generosidade
Amo que me dê sopetões
e carinhe quando me fragilizo
Amo tuas vírgulas, teus livros
teu olhar puxado
Amo tua companhia
como quem encontrou
terra firme
depois de navegar à deriva
e perder a bússola
Amo teu cuidado fraternal
com meus movimentos desastrados
Amo quando suaviza
o que lateja em mim
Amo que perceba meus detalhes
Amo que alivie meu calor
Amo dividir saídas culturais
com tua inteligência
Amo que me faça reconciliar
com teu signo
Amo que se interesse
pelas minhas dores
Amo que pergunte
pelo meu estado de espírito
Amo tua ironia
irmã do meu sarcasmo
Amo que me faça respirar
entre um machucado e outro
da avalanche do dia a dia
Amo tuas janelas
com paisagens interioranas
Amo que me force
relativizar dores familiares
Amo tua curiosidade quase infantil
Amo que diga não entender
e me force dar menos voltas
Amo esse sonho duo de pé no mundo
que sonho a dois
já é construção de realidade
Amo que minha história
tenha te arrepiado
Amo tuas vírgulas, tuas indignações
tua boa vontade, teus interlúdios
nossas interconexões
Amo teu companheirismo
e nossos espaços
Tuas maneiras de me fazer rir
Seu jeito de desacelerar
Amo tua metodologia pouco ortodoxa
de me fazer pegar leve comigo
Amo quando me deixa
digerindo seus chacoalhões
Amo que me inspire e me estimule
Amo que me deixe orbitar sua vida
que cuide das minhas dorese
Amo seu jeito vintage,
seus cabelos brancos
Amo ensinar e aprender contigo
Amo por a mão na massa juntos
Amo encaixar meu idealismo
à sua experiência
Amo que me estimule
mas me alerte
Amo que me apoie
mas puxe a orelha
Amo que me force
recalibrar o olhar
Amo que pulverize de otimismo
a bronca da amiga
Amo que emparelhemos
tanto em comum
E de aprender esse amor
meio lúdico, meio gratuito
meio sem fatura de cobrança
Não sabia nomeá-lo
Ah, a necessidade de rotular
até o que a vida dá de presente
E nesse encanto
meio estranhamento
De amoreco fraterno
que a vida encaixa
nas nossas frestas
Enviesei a história
Te cansei de ser sagitariana,
cênica e crítica além da conta
Esse poema
é só pra soprar
uns versos
alumbrados
Pra te dizer
feliz novos 365 dias
Que a gente
ouça o silêncio
em companhia
em muitos deles
domingo, 12 de outubro de 2014
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Homofobia politica e nossa miopia emocional
sábado, 13 de setembro de 2014
Época felina
Quando era criança, minhas tias vizinhas já eram gatólogas: tinham vários, adotados, se não me engano abandonados. Dormia e visitava muito as duas na época, a avó ainda era viva, mas eles eram bem "nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres". Lembro de dormir na sala e acordar com rasantes dos felinos em cima da gente. De subirem em tudo. E serem bem blasê conosco. Mas eram afinal, a laia de bichos domésticos que tinham personalidade. E eu não podia falar muito, que também não era lá nenhuma facilidade na convivência quando criança.
Convivi pouco com cachorro, lembro dos que meu avô teve, mas que tinham ciúme de mim, tentaram me morder e ainda bem, fui protegida pela bota ortopédica. Não era de todo mal usar aquilo. Lembro do pequinês do vô, que parece ter entrado em extinção.
Minha prima também teve gata, que pulava na perna da gente quando tingíamos os pelos das pernas e pulávamos pois a oxigenada ardia. Mas com estes dois convivia pouco, moravam no Paraná.
De lá pra cá tive um cachorro, adorável, mas que também tem personalidade: não gosta de colo, quer ficar perto, faz festa com a comida, o passeio, comemora as chegadas das visitas, há dez anos batiza a casa toda, nunca foi muito de brincar e foi sequestrado pela minha mãe. Pensei em entrar em litígio pelo bicho com ela, mas também quero por Brandão no nome, divorciar de vez, meter a "várzea trabalhista" no pau,ou seja, não tem verba pra tanto processo assim rs
Recentemente uma amiga falou maravilhas da gatinha dela, antes de voltar pra Europa. Fiquei toda curiosa. Minha professora de canto tem uns adoráveis e o outro aluno dela, também meu amigo cria outros incríveis. Mas foi um amigo budista que me deixou doida pra ter uma fêmea felina em casa. É como a amiga "jornalêra" fala: eles são sempre uma surpresa. Com o Bidu as comemorações e reações são sempre as mesmas. A Sofia, gatinha que me reencantou com as felinas não: brincou com meus brincos, aneis, corrente, cacho, saia, deitou no ombro, veio ficar de barriga em cima da minha quando ainda estava operada, ou seja, toda semana era uma novidade! E mia que mia, tagarela como eu, ronrona até dizer chega! Aí ameaço ser casa temporária de gato pras protetoras, minha mãe diz que trará o Bidu de volta em casa, não traz e permaneço sem gato.Desaforo! Só sei que acho uma delicinha acordar tentando dormir e eles empatando os movimentos na cama. Na minha mãe, o Bidu subir na cama é uma contravenção grave, no meu amigo da gata idem. Em casa é uma várzea rs. Sabe compensação de quem tem peso na consciência de passar tempo demais fora? Enfim, acho que preciso mostrar este post pra amiga protetora da professora de canto. E rom rom rom pros gatuchos de vocês. Que peludo é tudo de bom! E já nasce configurado: vai direto pra caixinha de areia na hora que devolve pra natureza rs E nada de interagir com o que outro bicho colocou para fora. Cachorro quando a gente bobeia... Se bem que o meu, santo como só ele, deixa mexer na comida quando vai engolir e secar depois do banho. A Sofia deixou umas marcas aqui quando tentei ajudar numa limpa rs Esse "textículo" é só pra dizer que quem gosta, curte os dois. Que essa de gostar de um e do outro não, é coisa de bichólogo meio sociopata. Todos são uma delícia. Desconfio de quem não gosta deles. Ou de criança. Ou gosta de ser filho único...
Convivi pouco com cachorro, lembro dos que meu avô teve, mas que tinham ciúme de mim, tentaram me morder e ainda bem, fui protegida pela bota ortopédica. Não era de todo mal usar aquilo. Lembro do pequinês do vô, que parece ter entrado em extinção.
Minha prima também teve gata, que pulava na perna da gente quando tingíamos os pelos das pernas e pulávamos pois a oxigenada ardia. Mas com estes dois convivia pouco, moravam no Paraná.
De lá pra cá tive um cachorro, adorável, mas que também tem personalidade: não gosta de colo, quer ficar perto, faz festa com a comida, o passeio, comemora as chegadas das visitas, há dez anos batiza a casa toda, nunca foi muito de brincar e foi sequestrado pela minha mãe. Pensei em entrar em litígio pelo bicho com ela, mas também quero por Brandão no nome, divorciar de vez, meter a "várzea trabalhista" no pau,ou seja, não tem verba pra tanto processo assim rs
Recentemente uma amiga falou maravilhas da gatinha dela, antes de voltar pra Europa. Fiquei toda curiosa. Minha professora de canto tem uns adoráveis e o outro aluno dela, também meu amigo cria outros incríveis. Mas foi um amigo budista que me deixou doida pra ter uma fêmea felina em casa. É como a amiga "jornalêra" fala: eles são sempre uma surpresa. Com o Bidu as comemorações e reações são sempre as mesmas. A Sofia, gatinha que me reencantou com as felinas não: brincou com meus brincos, aneis, corrente, cacho, saia, deitou no ombro, veio ficar de barriga em cima da minha quando ainda estava operada, ou seja, toda semana era uma novidade! E mia que mia, tagarela como eu, ronrona até dizer chega! Aí ameaço ser casa temporária de gato pras protetoras, minha mãe diz que trará o Bidu de volta em casa, não traz e permaneço sem gato.Desaforo! Só sei que acho uma delicinha acordar tentando dormir e eles empatando os movimentos na cama. Na minha mãe, o Bidu subir na cama é uma contravenção grave, no meu amigo da gata idem. Em casa é uma várzea rs. Sabe compensação de quem tem peso na consciência de passar tempo demais fora? Enfim, acho que preciso mostrar este post pra amiga protetora da professora de canto. E rom rom rom pros gatuchos de vocês. Que peludo é tudo de bom! E já nasce configurado: vai direto pra caixinha de areia na hora que devolve pra natureza rs E nada de interagir com o que outro bicho colocou para fora. Cachorro quando a gente bobeia... Se bem que o meu, santo como só ele, deixa mexer na comida quando vai engolir e secar depois do banho. A Sofia deixou umas marcas aqui quando tentei ajudar numa limpa rs Esse "textículo" é só pra dizer que quem gosta, curte os dois. Que essa de gostar de um e do outro não, é coisa de bichólogo meio sociopata. Todos são uma delícia. Desconfio de quem não gosta deles. Ou de criança. Ou gosta de ser filho único...
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Espontaneamente imaginativos
Sei que não dá pra comparar, mas no Estado valia nota e o retorno era de meia dúzia entre os 400 estudantes que lecionava.
P.S.: Em tempo: reencontrei um colega que dava (literalmente) aula comigo no cursinho comunitário de vestibular do Educafro no Heliópolis. O pessoal que trabalhava lá foi contar à mãe dele, que ainda tem
domingo, 27 de julho de 2014
Insone
Noite dilatada
barulhos amplificados
cansaço fanfarrão
me deixa afundar
em delírio onírico
uns instantes de morte voluntária
mas o respirar intermitente
me frita nos lençóis
dá a fome inviável
das madrugadas insones
criação encroada
das linhas não expressas
molha olhos e travesseiro
ah, a cabeça
das ideias mirabola um vespeiro
alquimia wicca
assenta esse coração pandeiro
barulhos amplificados
cansaço fanfarrão
me deixa afundar
em delírio onírico
uns instantes de morte voluntária
mas o respirar intermitente
me frita nos lençóis
dá a fome inviável
das madrugadas insones
criação encroada
das linhas não expressas
molha olhos e travesseiro
ah, a cabeça
das ideias mirabola um vespeiro
alquimia wicca
assenta esse coração pandeiro
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Capineiros odontológicos
Eu sou cara de pau, mas dentista é "falta de educação". Eles "capinam roça" nos nossos dentes, pedem para bochechar um fluor que não disfarça o gosto de ferro quando cuspimos sangue na piazinha deles e têm a "cara larga" de avaliar:
- Não foi nada, vai!
- Doutor, saiu sangue da minha boca, como assim?
Ultimamente, só falto perguntar orientação partidária, time e religião antes de marcar consulta. As secretárias não entendem nada:
- Isso é realmente importante?
- Claro! Ele colocará três ferramentas na minha boca e vai disparar aquele falatório carente de sempre deles. Se for malufista, não conseguirei argumentar e terei uma síncope na cadeira.
Lembro de quando trabalhei na ONG Turma do Bem e o presidente fazia um mea culpa de que era uma faculdade elitista e para atender os poucos que pudessem pagar. Seria muito pouco provável encontrar algum de jaleco branco a favor do Bolsa Família. Faço concessões:
- Marco se não falar em temas polêmicos.
Mas também quando eles não abrem a boca dá mais nervoso ainda! É como ginecologista e depiladora antipáticos: começamos a prestar atenção no que estão fazendo e aí fica ainda pior do que o atendimento já é.
Sempre que fico cara a cara com o teto braaaanco dos consultórios deles sugiro (quando posso cuspir):
- Podiam fazer uns grafites no teto, a gente prestava atenção noutras coisas que não esse ziiimmm aflitivo da maquininha.
Trabalhei com uma dentista mexicana que dizia ser uma profissão que já se focava demais num detalhe e quando especializavam, ficavam ainda mais concentrados num pedacinho deste tamanhinho do ser humano. Brinquei com meu dentista sobre isso:
- A gente conta de um colega que cruzou a América de moto e vocês querem saber quantas cilindradas ela tinha.
Passo no terceiro em pouco tempo, para levantar orçamentos igual as empresas fazem com gastos altos inevitáveis.
- Então, tem que fazer uma coroa e...
- Dá licença, vou vender meu rim e já volto para fechar o tratamento.
- Não exagere vai!
- Vocês fazem carnê de tratamento dentário igual das Casas Bahia?
- Não sei quanto fica, vão te ligar. - ai dentista pião. Não sei o que é pior, tomar o susto deitada ou ser pega de surpresa depois na calada de uma distração qualquer, para depois sabermos que tem que hipotecar a casa e fechar os buracos da boca.
- Pô se tivesse uns solteiros para fazer escambo por favores sexuais...
Meu pai quer socar a revista da sala de espera em mim e tenho que avisar que é brincadeira.
- Do outro lado não moça, é um pouco menos.
Ele faz uma longa e didática explicação sobre a força que incide nos molares, a reação do dente, as quebraduras, como alimento mole tira os rachados de lugar. Lembro de uma professora ótima de física do ensino médio.
- Acho que já que chama coroa, devíamos fazer uma cerimônia, um ritual: adeus saldo bancário! O que acha doutor?
Ele se diverte. Devia negociar risadas por descontos.
Minha chefe até arrumou um mais barato, mas tem que pegar um jegue, um cipó e uma jangada para chegar lá.
Tenho ATM, ou seja, forço o maxilar dormindo. É difícil abrir a boca na cadeira deles: ela já é meio travada. Com os bonitões, ela se abre meio caindo o queixo, facilita.
Precisava descobrir o esquema de venda de óvulo da colega duma vizinha, daí dá para arrumar a boca, mas é meio debaixo dos panos, nada oficial. Catzo.
Não à toa a maioria dos brazucas tem boca zoada e quando brinco que se o pretê tiver emprego e dente já está de bom tamanho, meu primo diz que limo meio Brasil com estes pré requisitos.
Durmo com a placa sambando na boca e torcendo para esta noite a dita cuja não amanhecer longe da boca e eu com maxilar travado amanhã. Santa Apolônia, padroeira dos doutores do ziiimm, valei-me!
- Não foi nada, vai!
- Doutor, saiu sangue da minha boca, como assim?
Ultimamente, só falto perguntar orientação partidária, time e religião antes de marcar consulta. As secretárias não entendem nada:
- Isso é realmente importante?
- Claro! Ele colocará três ferramentas na minha boca e vai disparar aquele falatório carente de sempre deles. Se for malufista, não conseguirei argumentar e terei uma síncope na cadeira.
Lembro de quando trabalhei na ONG Turma do Bem e o presidente fazia um mea culpa de que era uma faculdade elitista e para atender os poucos que pudessem pagar. Seria muito pouco provável encontrar algum de jaleco branco a favor do Bolsa Família. Faço concessões:
- Marco se não falar em temas polêmicos.
Mas também quando eles não abrem a boca dá mais nervoso ainda! É como ginecologista e depiladora antipáticos: começamos a prestar atenção no que estão fazendo e aí fica ainda pior do que o atendimento já é.
Sempre que fico cara a cara com o teto braaaanco dos consultórios deles sugiro (quando posso cuspir):
- Podiam fazer uns grafites no teto, a gente prestava atenção noutras coisas que não esse ziiimmm aflitivo da maquininha.
Trabalhei com uma dentista mexicana que dizia ser uma profissão que já se focava demais num detalhe e quando especializavam, ficavam ainda mais concentrados num pedacinho deste tamanhinho do ser humano. Brinquei com meu dentista sobre isso:
- A gente conta de um colega que cruzou a América de moto e vocês querem saber quantas cilindradas ela tinha.
Passo no terceiro em pouco tempo, para levantar orçamentos igual as empresas fazem com gastos altos inevitáveis.
- Então, tem que fazer uma coroa e...
- Dá licença, vou vender meu rim e já volto para fechar o tratamento.
- Não exagere vai!
- Vocês fazem carnê de tratamento dentário igual das Casas Bahia?
- Não sei quanto fica, vão te ligar. - ai dentista pião. Não sei o que é pior, tomar o susto deitada ou ser pega de surpresa depois na calada de uma distração qualquer, para depois sabermos que tem que hipotecar a casa e fechar os buracos da boca.
- Pô se tivesse uns solteiros para fazer escambo por favores sexuais...
Meu pai quer socar a revista da sala de espera em mim e tenho que avisar que é brincadeira.
- Do outro lado não moça, é um pouco menos.
Ele faz uma longa e didática explicação sobre a força que incide nos molares, a reação do dente, as quebraduras, como alimento mole tira os rachados de lugar. Lembro de uma professora ótima de física do ensino médio.
- Acho que já que chama coroa, devíamos fazer uma cerimônia, um ritual: adeus saldo bancário! O que acha doutor?
Ele se diverte. Devia negociar risadas por descontos.
Minha chefe até arrumou um mais barato, mas tem que pegar um jegue, um cipó e uma jangada para chegar lá.
Tenho ATM, ou seja, forço o maxilar dormindo. É difícil abrir a boca na cadeira deles: ela já é meio travada. Com os bonitões, ela se abre meio caindo o queixo, facilita.
Precisava descobrir o esquema de venda de óvulo da colega duma vizinha, daí dá para arrumar a boca, mas é meio debaixo dos panos, nada oficial. Catzo.
Não à toa a maioria dos brazucas tem boca zoada e quando brinco que se o pretê tiver emprego e dente já está de bom tamanho, meu primo diz que limo meio Brasil com estes pré requisitos.
Durmo com a placa sambando na boca e torcendo para esta noite a dita cuja não amanhecer longe da boca e eu com maxilar travado amanhã. Santa Apolônia, padroeira dos doutores do ziiimm, valei-me!
quarta-feira, 2 de julho de 2014
ET na Copa
Os jogos começam e eu pareço vir de Plutão. Não, não vi o passe do meia do Cuzuquistão. Ah é, o goleiro da Malásia era uma graça? Não faço ideia qual foi o placar entre o Nepal e o Quirquistão. Queria mesmo era fazer parte do protesto online Vai ter Cópula. Mas como diz a tia da minha prima "recebemos currículos, fizemos dinâmicas de grupos e... não tinham o perfil". Daí no primeiro jogo fui militar na casa da professora de canto:
- Croácia! Croácia!
Mas lá para as tantas fui arrebatada... Pelas pernas dos jogadores. Que Marcelo é aquele cambada? Ah, ele fez gol contra? Hum...
Nunca pintei a rua, coloquei bandeirinha, colori muro. Na melhor das hipóteses tive figurinhas dos jogadores da Suécia, que eram uma graaaaça, há muitos anos atrás. Mas nesta temporada, é como se trocasse de planeta me mantendo na Terra mesmo. Um dos poucos assuntos que não tenho um mísero comentário a fazer, junto com as "editorias" carros antigos e motos. Fico lá ouvindo e enfiando o pé na jaca em algum vinho ou cerveja escura, para acordar "corta pulsos" no dia seguinte.
No último jogo também, estava com boleiros da zona leste e fiz uma social nos bares do Itaquerão, já que meu bolso não comportava ingressos na Arena e na educação não rolam "jabás" generosos como no jornalismo. Estranhei a comemoração europeia da Holanda: umas palmazinhas e pronto. Num dos gols na partida do Brasil também fui abduzida e comemorei. Não lembro o nível de álcool que foi necessário.
Cadernos de esporte sempre foram os que pulava, colocava na gaiola dos pássaros do meu pai ou usava de "banheiro" pro meu filho canino, o Bidu. Sempre "torci" fazendo pipoca da cozinha: basta acompanhar o ritmo da locução que quando fica mais exaltada, é batata: posso ir para a sala e rever o lance do gol um "porrilhão" de vezes, ouvir as análises - todo mundo é comentarista nato de "futibas", uma pena esse monopólio dos Galvão Bueno de sempre.
Trata-se de um talento para torcer não alimentado. Sou corinthiana não praticante: na barriga da minha mãe acompanhei ela pular quando o Timão levou um título e acabou com um "jejum" que se não me engano já durava 25 anos. Pois bem, quando ela parou de pular, eu comecei e a dona Lu passou mal. Ao nascer, meu pai comprou uma blusinha do Corínthians antes de saber meu sexo. Mas nunca me levou em estádio, oras, como podia me tornar "Gaviões" roxa? Só ano passado que colegas de trampo me levaram para ver Ponte Preta com uns argentinos no Pacaembu e gamei: é um esporte que faz sentido no estádio. Muito embora seja mais batuqueira que torcedora e só não me rendi ao ziriguidum dos hermanos por medo de sair alguma briga e estar longe dos meus acompanhantes.
Chutando pau na barraca recentemente, no último jogo me rendi ao atraso de sono e capotei. Sonhei com olas, ouvindo a vizinhança torcer enlouquecida. No próximo também estou curiosa pra conferir o movimento na Vila Madalena, que está caindo nas graças da "gringaiada", mas...com quem jogaremos mesmo?
Me sinto na pele da eterna incompreendida, quando ouço: "mas nem na Copa"?, ao confessar que não consegui cair de amores pelo esporte mais passional do País, parece quando recuso carne por ser vegetariana e tenho que ouvir: "nem peixe"?
Assinar:
Postagens (Atom)





