E o ano se despiu inteiro
me convidou com alegria infantil:
tudo como sonhava
cheirando a tinta fresca!
Olhei por cima do ombro
e me justifiquei:
vinha trazendo essas memórias
Com sabedoria ancestral
2014 me interrompe:
basta de estudos budistas sobre desapego
passa o tempo de praticá-lo
Dores antigas se remoem em mim
ainda reinvindico:
estes sonhos me acompanhavam
desde muito menina
Deixa de arrastar
esse peso morto
te perdôo:
não sentes pelo nariz alérgico
Abandonei cismas moribundas
vim para a beira do rio
sentei e estiquei os pés
senti aquele frio de cachoeira
o que leva dores velhas de guerra
A nova profissão e ensaio passional
têm cheiro de grama
e me botam insuportavelmente feliz
leva esta insônia água
o velho de guerra
não "dou conta mais não"
sábado, 25 de janeiro de 2014
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Ontem e hoje: eu te predigo
Encoxa tuas afinidades comigo
E te prometo como abrigo
A sombra fresca do meu umbigo
Farei de tudo pra que ali não haja perigo
De resto ofereço de meus sonhos, o joio do trigo
E no teu idealismo, peço carona contigo.
E do meu eu mais íntimo: entrego de bandeja meu ímpeto amigo
Independente do que vier, não deixa o transmutar da emoção
se tranformar no teu inimigo
Esse caminho sedutor é um recurso antigo
Só não me troque por um cheiro de liberdade antigo
Essa atração do zodíaco rende numa revista feminina um místico
artigo
E muito mais das minhas dores, não te digo
Prefiro ficar com o silêncio do teu pescoço gosto de figo
Um assentar destas emoções dispersas há tempos persigo
Não importa a que nos entreguemos, um alumbramento é o que
persigo
E guarda no teu bolso esse golpe sedutor de raparigo.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Flor de Maracujá
A tamanduá bandeira
foi chamada de flor de maracujá
o ouvido abraçou o carinho
mas a internet não me traz
o cheiro dela
sua textura
e pensando bem
nunca pintei o cabelo
de salmão e roxo
Ela é rasteira
ou dá no alto?
Também é conhecida
como passion fruit flower?
Vontadezinha de por
uma floreira na janela
e ao invés da vizinha
do prédio ao lado
ter mais cores e aromas
aqui pertinho.
Flor de maracujá
nasce perto de rio cinza?
Ela resiste a bailes funk
da Vila do Sapo?
E aos apitos
das fábricas da periferia?
Gosta de conversa?
Ou quer praticar o nobre silêncio?
Prefere sol da manhã
ou tarde?
Pode ficar embaixo
de bandeirinha budista?
Abriu um broto
na porta de saída
da caverna
da ursa panda
fora do auto exílio.
Chove mais
São Pedro
que o cheiro
d´água é nostálgico
Bora pro frio na espinha
Evoé
foi chamada de flor de maracujá
o ouvido abraçou o carinho
mas a internet não me traz
o cheiro dela
sua textura
e pensando bem
nunca pintei o cabelo
de salmão e roxo
Ela é rasteira
ou dá no alto?
Também é conhecida
como passion fruit flower?
Vontadezinha de por
uma floreira na janela
e ao invés da vizinha
do prédio ao lado
ter mais cores e aromas
aqui pertinho.
Flor de maracujá
nasce perto de rio cinza?
Ela resiste a bailes funk
da Vila do Sapo?
E aos apitos
das fábricas da periferia?
Gosta de conversa?
Ou quer praticar o nobre silêncio?
Prefere sol da manhã
ou tarde?
Pode ficar embaixo
de bandeirinha budista?
Abriu um broto
na porta de saída
da caverna
da ursa panda
fora do auto exílio.
Chove mais
São Pedro
que o cheiro
d´água é nostálgico
Bora pro frio na espinha
Evoé
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Silêncio significativo
Ela queria escrever que voltou a parir poesia depois de um tempo significativo fugindo dos versos. Que se encantou e tentou não descarrilhar ladeira abaixo com a energia que voltava a dar cambalhotas depois de um longo inverno. Chorou por começar a entender e visualizar parte das orações budistas que vivia repetindo em reencontros com os parceiros espirituais. Desenferrujou as mãos em quick massage de passagem de ano e as palmas e dedos quiseram saber quando repete a dose, pois é terapêutico pra quem faz também. Voltou a fazer diário como o avô. Se emocionou de lembrar os pais e a ex chefe a colocando numa posição amorosamente elevada quando não esperava ou nem lembrava o que fazia melhor. Viciou nas sestas diurnas. Meditou cortando manga, cará e batata. Nunca esteve tão presente em refeições temperadamente criativas e naturebas. Teve dficuldade de dormir, como era de se esperar. Ganhou ajuda com mala. Cochilou na carona. Divertiu os colegas. Ganhou estímulos.. Sonhou na mesma direção do outro, o que já contribui muito pra dar certo. Se viu pela lente mais generosa alheia. Trabalhou uma impacienciazinha fora de lugar. Prestou atenção na respiração com a paisagem da pista de voo. Colheu lixo na mata. Lembrou como era uma pinga sem contra indicação debater educação e política se indignando nos mesmos absurdos. Contraditoriamente depois praticou o nobre silêncio ao invés de subir no palanque da garganta. Sentiu saudades de atitudes que já nem lembra quando recebeu. Se esqueceu na rede. Ganhou carinhos de mães alheias. Descobobriu indicações naturais contra infecção de urina e gastrite e quis dividir com amigos e familiares. Quando voltou parou nas lixeiras recicláveis e se questionou onde descartava paixão datada. Procuou o que ainda a representava para simbolicamente por no lixo. Não encontrou dentro e nem fora. Voltou mais leve do que já sentia. Entendeu quando o amigo falava da falta de palavras pra certas situações. Se entregou mais cedo pro toró fazê-la dormir. Enfim em sua cama que o sono é temperamental. A bruxinha que habita nela acha simbólico entrar o ano sangrando, recitando mantra, ouvindo fogos e chuva. Não só o ano será novo. Ela também.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Começaram as contrações...
"Está sentindo? A respiração encurtou.
Começa a contagem regressiva não só pra renascer a centelha divina em cada um de nós, mas para que façamos por merecer a doação feita por Ele há mais de 2 mil anos.
Respira! Não contrai!
Se quando a cãibra nos pega tivermos coragem de esticar, a dor passa. Que na pontada tenhamos a presença de espírito de focar noutro ponto qualquer e entregar.
Acolhe! Já chegou! Embrulha! Confere o coração! Dá banho!
Que a gente dê mais espaço à poesia da vida e menos aos tropeções.
Ouve o coração! Dá o peito! Sente a mãozinha!
Que coloquemos nossa dor na árvore pra cuidar do outro e quando a pegarmos de volta ela esteja inacreditavelmente mais leve.
É a cara da mãe! Tem os pés do pai!
Que exercitemos enxergar a visão de mundo a partir da visão de quem nos choca 'de quando em vez'.
Enrola! Tira foto! Põe sapatinho!
Que procuremos por a mão na aflição alheia e tenhamos uma brecha de também suspirar a nossa pra longe.
Shhh Vai acordar. Apaga a luz
Que encontremos o que procuramos há tempos imemoriais - seja o Mandiokeijo, emprego dos sonhos, vestido de arrasar ou aquele item fora de produção - companheiro? - ainda que 'rodado, de segunda mão'.
Canta para ele. Põe o ursinho perto. Estica a roupinha.
Que nos permitamos novos sabores, lugares, amores, profissões, sentimentos, amigos, paisagens, energias.
Cobre. Liga o abajur, Roda o móbile.
Que nos cuidemos. Que carreguemos quem adoramos no colo. Que nos entreguemos
Não sei se os dedinhos ou narizinho são mais lindos.
Saúde, proteção e paz de espírito dia 25 e sempre, pra vc e os que ama.
Se apaixonou pelo espelho. Fotogênico...
Para o alto e avante! Que criemos nosso ano com cheiro de tinta fresca e Natal sabor de rabanada."
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Dos 36...
...fico feliz de chegar com sua dor de amor partindo. Que você já consiga rir noites inteiras com o pé na porta do seu pai. Que tenha percebido o milagre da vida de cara sóbria. Que esteja achando maturidade e não velhice curtir o som dos mais velhos. Com suas poesias a caminho e com agenda de lançamento em nova coletânea, agora com mais espaço. Com o curta online! Com as delícias de argumentar e rir em pleno corpo a corpo telefônico com os jornalistas. Com o juízo batendo à sua porta e você - miraculosamente - atendendo! Com as auto cobranças partindo. Com as miseráveis comparações batendo em retirada. Com a capacidade de deixar falando sozinho sentimento insalubre. Com a sabedoria de saber que está apurando e escrevendo mais em assessoria de imprensa do que em redação. Com neuras velhas de guerra sem voz para pirar o cabeção. Com a nova contaminação do estádio. Com as dores dos imprevistos saindo de cena, dando lugar à necessidades e boas ideias. Com interlúdios naturebas, zen e braçais à vista. Com a palavra limpando quando vaza demais. Com uma desconfiançazinha saudável a postos quando necessário. Com tudo certo, nada resolvido, mas a piada sempre a postos. Ainda com a capacidade de rir e chorar junto. Contando com ajuda quando não dá para segurar a bronca por conta própria. Querendo estudar, voltar a se exercitar, mas sabendo que mudança de ano é só uma folhinha na parede. Sabendo que amanhã é só uma miragem. Cansada de esperar. Pondo vontades irracionais de castigo para pensar. Cortando viagem na goiabada de quem gosta de você, mas só sabe amar aos solavancos. Mudando de assunto propositadamente com os pé no peito da sua vida, como a tia doce ensinou. Não bancando a atriz digna de Oscar quando não é possível, se rendendo ao abraço, cama e cochilo quando está corta pulsos pois sabe o quanto o sono é super hiper mega bláster restaurador. Descobrindo que a vizinha descompensada com os filhos tem ótimo gosto musical. Sustando repressão familiar de quem te ensinou a ficar à vontade, mesmo com tanta vizinhança Big Brother voyuer. Indo atrás do que realmente faz diferença. Comemorando as unhas coloridinhas. Corrigindo a postura e se descobrindo outra no reflexo do espelho. Mantendo o que vale pelos sobe e desce profissionais: as pessoas. Posso chegar chegando agora que estamos semi novas? Da sua nova idade
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
À deriva tentando contato
Eu não me adaptei
muito embora tenha limado
os sonhos que tinha e os que não
no nível de mínima sobrevivência
Não me adequei
apesar de ter dado um estômago,
uma apêncite, um sono e lombar
Não me modelei
madruguei feriados
entreguei noites
varei madrugadas
Não me encaixei
perdi entrevistas
não escrevi livros
suspendi processos de criação
que pulsam há anos
e cada vez mais baixo
Não encaixei
deixei amigos na mão
briguei com amores
estive menos com a família
Tenho uma voz rouca
de tanto pedir, agradecer,
chorar e se abrir
a um Deus
que faz ouvidos moucos
Perdi a conta
de há quanto tempo
deixo a viagem, o curso,
a peça, o livro
para o tempo livre
que nunca chega
Poderia criar
um papel de parede
com os diplomas
que não serviriam
para mais que uma decoração
meio intelectual, meio alternativa
Abandonei meus afilhados
não tive os filhos
que me pediram
E não acredito mais
que foi por um bem maior
que era melhor para mim
que virão mehores
Encalhei meu barco
numa praia semi abandonada
de perguntas esperando a minha deixa
Nem mesmo a chuva
que aprendi a amar com meu avô
parece trazer nada de novo
Estou presa num looping
ouço as mesmas coisas
com míninas variações
E tentei à exaustão
Trabalhei com olhos,
barriga e perna
vazando, latejando
Pra ainda ter
quem acredite
que não me adapto
por rebeldia
intransigência
revolta
livre arbítrio
Hoje eu deitei no parque
cochilei embaixo das árvores
me integrei por cinco minutos
Onde Ele estava
quando me traíram
iludiram, mentiram?
Em que esquina
Ele soltou minha mão
e segui falando sozinha
com sua lembrança?
muito embora tenha limado
os sonhos que tinha e os que não
no nível de mínima sobrevivência
Não me adequei
apesar de ter dado um estômago,
uma apêncite, um sono e lombar
Não me modelei
madruguei feriados
entreguei noites
varei madrugadas
Não me encaixei
perdi entrevistas
não escrevi livros
suspendi processos de criação
que pulsam há anos
e cada vez mais baixo
Não encaixei
deixei amigos na mão
briguei com amores
estive menos com a família
Tenho uma voz rouca
de tanto pedir, agradecer,
chorar e se abrir
a um Deus
que faz ouvidos moucos
Perdi a conta
de há quanto tempo
deixo a viagem, o curso,
a peça, o livro
para o tempo livre
que nunca chega
Poderia criar
um papel de parede
com os diplomas
que não serviriam
para mais que uma decoração
meio intelectual, meio alternativa
Abandonei meus afilhados
não tive os filhos
que me pediram
E não acredito mais
que foi por um bem maior
que era melhor para mim
que virão mehores
Encalhei meu barco
numa praia semi abandonada
de perguntas esperando a minha deixa
Nem mesmo a chuva
que aprendi a amar com meu avô
parece trazer nada de novo
Estou presa num looping
ouço as mesmas coisas
com míninas variações
E tentei à exaustão
Trabalhei com olhos,
barriga e perna
vazando, latejando
Pra ainda ter
quem acredite
que não me adapto
por rebeldia
intransigência
revolta
livre arbítrio
Hoje eu deitei no parque
cochilei embaixo das árvores
me integrei por cinco minutos
Onde Ele estava
quando me traíram
iludiram, mentiram?
Em que esquina
Ele soltou minha mão
e segui falando sozinha
com sua lembrança?
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